Andréa Bruginski

Nutricionista CRN-8 444

 MSc. em Saúde Pública

 Coordenadora Estadual do Programa de Alimentação Escolar

 

Não há dúvidas. Estamos diante de uma verdade cientificamente comprovada: os agrotóxicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente.

 

Dossiê Abrasco, 2015

 

Desde 2008, o Brasil ocupa o lugar de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer – (INCA) isso representa o consumo por brasileiro de cinco litros de veneno a cada ano.

Tal consumo não é somente uma estimativa, e sim uma realidade vivenciada por todos. Dados oficiais demonstram que a intoxicação, seja aguda ou crônica, atinge trabalhadores e população do entorno das fábricas de agrotóxicos, a agricultura e os consumidores de alimentos contaminados, ou seja, toda a população.

Como resultado têm-se o aumento da incidência de doenças, tais como doenças endócrinas, câncer, infertilidade, distúrbios neurológicos, déficits de atenção e hiperatividade em crianças.

Tendo como referência o conceito de alimentação saudável segundo a Política Nacional de Alimentação e Nutrição, esta deve estar adequada aos aspectos biológicos, socioculturais dos Indivíduos e uso sustentável do meio ambiente, o consumo de alimentos com resíduos agrotóxicos vai à contramão desse conceito.

Uma das estratégias de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável é o incentivo à criação de ambientes institucionais promotores de alimentação adequada e saudável, incidindo sobre a oferta de alimentos saudáveis nas escolas, ambientes de trabalho e “comida de rua”.

No lócus da alimentação escolar pública, o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE vem desenvolvendo ações de incentivo ao consumo de frutas, legumes e verduras, passando a destinar, desde 2009, no mínimo 30% dos recursos na aquisição de alimentos diretamente da agricultura familiar, com especial recomendação de que se priorize a compra de alimentos orgânicos.

Como resultado, atualmente vários municípios e o Estado do Paraná vêm ofertando maior quantidade e diversidade de alimentos frescos em suas escolas, produzidos pelos agricultores familiares, sendo, em alguns casos, exclusivamente orgânicos. Nas escolas da rede pública estadual Paraná a oferta de orgânicos em 2014 representou 25% do valor total contratado.

Sem dúvida trata-se de uma importante evolução para o sistema de saúde, que numa ação intersetorial avança enquanto modelo de alimentação, educação, saúde e agricultura, de forma integrada.

Permanece o desafio de além de ofertar alimentação mais saudável, cada vez mais isenta de agrotóxicos, atuar na educação alimentar e nutricional tanto dos alunos quanto da comunidade escolar, empoderando assim a população quanto às suas escolhas alimentares, com o desenvolvimento de habilidades pessoais em alimentação e nutrição, fundamentais no exercício da autonomia e do autocuidado com sua saúde.