Juliano de Bortoli

 Nutricionista CRN-8 1477

 Especialização em Qualidade de Alimentos (2005)

 

 

Segundo o sociólogo Caio Magri, “Desperdício de alimentos na conjuntura atual é crime de lesa-humanidade.” A frase é impactante, porém mais do que pensar na questão humanitária imediata, é importante perceber que algumas escolhas econômicas e sociais, principalmente do agronegócio, podem ter efeitos irreversíveis para o planeta.

O Ministério do Meio Ambiente tem feito pesquisas relacionadas ao tema e algumas delas apontam que, ao longo da história, os homens utilizaram para sua alimentação cerca de 3 mil espécies de produtos vegetais, sendo que hoje apenas 15 espécies fazem parte da base da segurança alimentar cerca de 80% da população do planeta (soja, mandioca, milho e arroz, entre outras).

Dentro desse eixo, faz-se necessário lembrar que existe diferença entre crescimento e desenvolvimento. Quando levado em consideração o desenvolvimento sustentável, com suas dimensões sociais, econômicas, ecológicas, culturais, políticas e espaciais e, sendo assim, o primeiro passo para garantir a sustentabilidade é rever culturalmente o consumo, inclusive de alimentos. Sabe-se que hoje há uma demanda de alimentos que não é atendida e, ao mesmo tempo, utilizamos extensões enormes de terra para abastecer o mercado externo com soja, por exemplo, ou para produção de combustíveis, como a cana de açúcar. Dessa forma, culturas de exclusividade impactam diretamente na segurança alimentar e nutricional.

O desperdício de alimentos deve ser tratado de maneira multidisciplinar e intersetorial, atendendo todas as dimensões para o desenvolvimento sustentável e, assim, gerar impactos favoráveis e positivos relacionados à saúde.

O papel do Nutricionista

Para a garantia da qualidade do alimento é fundamental não somente ter acesso a ele. Hoje, temos várias mudanças na relação da população brasileira com os alimentos e no acesso a eles, o que tem contribuído para reflexos graves na segurança alimentar e nutricional, como, por exemplo, o excesso de peso e, por consequência, a obesidade.

Cabe aos nutricionistas garantir a segurança alimentar e nutricional do produto final, encontrar alternativas para minimizar ao máximo o desperdício em decorrência da produção ou desperdício do produto já finalizado. Encontrar alternativas para a utilização de produtos que hoje não utilizamos em nossa alimentação habitual, e que sabemos que podem seguramente ser ingeridos pelo ser humano, é um dos principais desafios da área, como alguns que já são conhecidos, como a utilização integral dos alimentos.

Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)

Para resolver o problema, um manual prático da FAO detalha três níveis onde são necessárias ações: