Rubia Daniela Thieme

Nutricionista CRN-8 5724

MSc. em Segurança Alimentar e Nutricional (2012-2014) pelo Programa de Pós-Graduação em Segurança Alimentar e Nutricional da UFPR

 

 

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Brasil detém 13% da água doce de superfície do mundo. Contudo, a distribuição desse recurso é desigual e o elevado consumo, somado ao desperdício de água, acarreta na falta d’água no semiárido e nas grandes capitais. A Região Hidrográfica do Paraná, com 32,1% da população brasileira, apresenta o maior desenvolvimento econômico do País, visto que abrange os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e o Distrito Federal, e 93% da população da região está em áreas urbanas, correspondendo a 31% da demanda por recursos hídricos do País.

O crescimento desses grandes centros urbanos em rios de cabeceira pressiona os recursos hídricos, pois, ao mesmo tempo em que aumentam as demandas, diminui a disponibilidade de água devido ao desmatamento, à contaminação por efluentes domésticos e industriais, bem como por drenagem urbana.

Devido à redução dos níveis dos reservatórios das grandes cidades brasileiras, o desperdício e a utilização racional da água tornaram-se assunto frequente e importante. No ambiente doméstico, a forma como o recurso hídrico é utilizado em hábitos cotidianos, como saciar a sede, banhar-se, lavar roupa e cozinhar, pode gastar variadas quantidade de água, dependendo de aspectos educacionais e culturais da população.

Práticas diárias, como lavar louça e acender as luzes, podem colaborar para a economia de água. Ao lavar louça durante 15 minutos com a torneira aberta, gastam-se 240 litros de água, contudo, usar uma bacia cheia de água pode economizar 160 litros. Formas alternativas de energia, como a luz solar para o aquecimento de água, especialmente para o banho, utilização de lâmpada de LED (diodo emissor de luz) e instalação de sistema de reaproveitamento das águas pluviais podem diminuir a necessidade de energia proveniente de usinas hidrelétricas, bem como de água. Também pode ser importante substituir as torneiras e as caixas de descargas por outras mais econômicas e usar “Dispositivos Economizadores de Água”, que podem resultar numa redução de vazão em torneiras e chuveiros. Economizar papel colabora com a economia de água, pois, para se produzir um quilo de papel são necessários 540 litros de água. Além do ambiente doméstico, vazamentos de água no sistema de abastecimento das empresas que fornecem água de água equivalem, em média, a 45% da água produzida.

Entretanto, o consumo doméstico é pequeno se comparado ao recurso hídrico necessário para produção de alimentos, combustíveis e produtos industriais. O setor agropecuário também necessita de grandes volumes de água. Portanto, a irrigação no campo é a maior usuária de recursos hídricos (42% da demanda total), seguida do abastecimento industrial (27% da demanda total). Na agricultura, apenas 40% da água desviada é efetivamente utilizada na irrigação, o restante é desperdiçado. Desse modo, 1.650 litros de água são usados para produzir 1 kg de soja, 1.900 litros para 1 kg de arroz, 3.500 litros para 1 kg de aves e 15,5 litros mil para 1 kg de carne bovina. Com relação aos combustíveis, são necessários 10 litros de água para 1 de gasolina e 600 litros para 1 kg de cana-de-açúcar voltada para a produção do etanol. 

Dados referentes ao uso de água no Paraná - Fonte Agência Nacional de Águas - ANA

Portanto, a conservação dos recursos hídricos e redução do desperdício dependem, sobretudo, de ações educativas nas comunidades. Além disso, são necessárias políticas públicas e ações regulatórias que controlem e fiscalizem o uso hídrico abusivo no setor agropecuário e industrial, bem como a contaminação dos mananciais, rios e bacias hidrográficas de modo eficaz.