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Brasil recebe elogios em Roma ao apresentar experiência de prevenção e controle da obesidade

Avanços na área de alimentação e nutrição despertaram interesse dos países presentes à 2ª Conferência Internacional de Nutrição (ICN2)

Brasília, 21 – A prevenção e o controle da obesidade foram alguns dos temas apresentados pelo Brasil nos debates da Segunda Conferência Internacional de Nutrição (ICN2), finalizada nesta sexta-feira (21) em Roma. O tema deste ano foi "Uma nutrição melhor, uma vida melhor" (Better nutrition, better lives). Ao final do encontro, os participantes assinaram dois documentos: a Declaração de Roma sobre a Nutrição e o Marco de Ação.

A Declaração de Roma sobre a Nutrição responderá às questões e aos desafios atuais relacionados com a nutrição e o Marco de Ação reúne uma lista com 60 recomendações de políticas e estratégias que podem ser incorporadas nos planos dos países.

O secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos, um dos representantes do governo brasileiro, apresentou a estratégia brasileira para a prevenção e o controle da obesidade, da qual consta um conjunto de ações para ampliar a oferta de alimentos saudáveis, de educação alimentar e nutricional e de atenção nutricional na saúde. “Os avanços do Brasil na área de alimentação e nutrição são hoje um exemplo para o mundo, além de termos tirado milhões da pobreza, pela primeira vez, o país saiu do mapa da fome, segundo a FAO”, afirmou.

Os resultados do país se sobressaíram pela escala e pela velocidade com que modificaram a vida das pessoas em relação ao acesso a alimentos. Com o destaque para o Bolsa Família, o quadro de miséria e pobreza extrema em inúmeras localidades mudou sensivelmente.

Arnoldo informou que o país está finalizando a implantação do seu primeiro Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – o segundo plano deverá estar pronto em 2015. “Entre suas iniciativas, está a busca ativa daqueles que ainda não foram plenamente contemplados pelo direito humano à alimentação saudável e adequada.”

Um problema exatamente opost o, mas igualmente grave, também fez parte das discussões na capital italiana: o sobrepeso e as doenças crônicas decorrentes da má alimentação. De tão grave, a obesidade já chegou ao patamar pandêmico, afetando a maioria dos países do planeta.

O alto teor de sódio, açúcar e gordura, encontrados especialmente em produtos ultraprocessados, são apenas alguns dos vilões que pairam sobre os consumidores. O Brasil tem uma população adulta na qual 50% estão acima do peso ideal. Entre as crianças o índice alcança 30%. Arnoldo destacou que a criação de ambientes que facilitem aos cidadãos fazer escolhas alimentares saudáveis é parte importante das políticas públicas para a área.

Propostas – Durante o evento, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e o secretário Arnoldo participaram de audiências com a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Chan, e o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Graziano da Sil va. Eles levaram a proposta da OMS fazer parte do Conselho de Segurança Alimentar das Nações Unidas, a fim de fortalecer a interface das ações de nutrição no mundo.

O ministro Chioro chefiou a delegação brasileira, que reuniu cerca de 40 pessoas, entre representantes do governo, parlamentares e da sociedade civil.