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CRN-8 e entidades debatem qualidade na alimentação escolar com Goura

Entidades de nutricionistas e de segurança alimentar reuniram-se com o vereador para debater Projeto de Lei e o assunto se ampliou, abordando a qualidade da alimentação nas escolas municipais de Curitiba 

 

Ontem, 09 de agosto, o Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região (CRN-8) reuniu-se, em sua sede, com o vereador Goura Nataraj. O assunto em pauta era o Projeto de Lei (PL) “Segunda sem Carne”, de autoria do parlamentar em parceria com as vereadoras Fabiane Rosa e Katia Dittrich, mas a discussão foi ampliada e abordou a necessidade de desenvolver Projetos de Lei que garantam a alimentação saudável e a soberania alimentar dos alunos das escolas de Curitiba. Também estiveram presentes o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), o Centro de Colaboradores em Alimentação e Nutrição Escolar (CECANE) e o Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR).


A presidente do CRN-8, nutricionista e professora Dra. Maria Emilia Daudt von der Heyde disse que o CRN-8 está sempre à disposição para debater e orientar as ações políticas relacionadas à alimentação e à nutrição para que as leis sejam adequadas às necessidades da população, principalmente no que diz respeito à alimentação escolar. “Nossa missão é defender o direito humano à alimentação saudável, contribuindo para a promoção da saúde de todos e, no caso da alimentação escolar, estamos falando de crianças, pessoas em formação, logo merecem atenção especial”, destacou a presidente.

Goura afirmou que o PL “Segunda sem Carne” despertou o debate em torno da qualidade da alimentação escolar, que atualmente é produzida e distribuída por empresas terceirizadas. Segundo ele, os contratos firmados com essas empresas e a educação Alimentar e Nutricional estão sendo debatidos neste momento. “O PL teve destaque nas mídias nos últimos dias e, mesmo sendo alvo de críticas e elogios, trouxe à tona vários problemas da alimentação escolar, como o excesso de açúcar, farinha branca e gordura, além do cardápio ser, muitas vezes inadequado pela quantidade de produtos com as características já citadas”, informou o vereador.

Outros fatores - A presidente do COMSEA, a nutricionista e professora Dra. Regina Lang, destacou a importância da busca da qualidade na alimentação escolar. Ela concorda que o PL foi importante para motivar o debate, mas afirma que há muitos outros fatores a ser levados em conta nessa discussão, como a aquisição de alimentos da agricultura familiar e também a iniciativa de levar a produção dos alimentos para dentro da escola, garantindo assim a qualidade, o frescor e o sabor. “Tirar a carne não garante a qualidade nutricional dessas crianças; é preciso, antes de tudo, garantir o acesso ao alimento não ultraprocessado, à alimentação saudável e aos hortifrútis”, disse.

Recursos - Dalton Metz Muniz, representante do CECANE levou para o debate a questão da compra de produtos alimentícios pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Para Curitiba são enviados aproximadamente R$17 milhões e 30% desses recursos devem ser gastos com alimentos provenientes da Agricultura Familiar”, informou.

Cautela - A Dra. Regina Vilela, do Departamento de Nutrição da UFPR, também falou da importância de um amplo debate sobre a alimentação escolar e salientou que é preciso cautela ao propor a retirada de um alimento como a carne do cardápio. Ressaltou sua preocupação acerca de que as vitaminas essenciais para o crescimento e a saúde das crianças sejam incluídas na alimentação. “Na universidade, vários estudos são feitos com base na restrição de alguns alimentos e percebeu-se que quando a carne é retirada, pode haver falta de Vitamina B12, logo esse tipo de restrição deve ser sempre acompanhado por um nutricionista e não deve ser jamais imposto”, explicou.