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Jovens Formiguinhas

A nutricionista e conselheira do CRN-8 Maria Emilia Von der Heyde concedeu entrevista à reportagem da Gazeta do Povo e alertou sobre os perigos do açúcar

Fábio Cherubini

A estudante Laryssa Nunes, de 17 anos, sabe que consome bastante açúcar. Apesar de tomar um café da manhã reforçado e comer muita salada no almoço, quase todos os dias ela toma uma garrafa de 600 ml de Coca-Cola inteira, e não abre mão das balas, gomas e chicletes. Laryssa não faz ideia, mas apenas nessa garrafa de refrigerante ela ingere cerca de 40 gramas de açúcar, o que significa praticamente a quantidade recomendada do consumo do produto por dia, que é de 50 gramas.

Em uma semana, o total consumido por Laryssa, caso ela beba todos os dias, representa 280 gramas de açúcar. Em um mês, a quantidade chega a aproximadamente 1,2 quilogramas – 200 gramas a mais do que um pacote inteiro.

A adolescente, no entanto, não é a única pessoa nesse barco. Um levantamento do Ministério da Saúde de 2011 apontou que 61,3% da população brasileira come mais açúcar do que deveria. E essa situação é mais preocupante entre os jovens de 14 a 18 anos. Do total dos entrevistados, 74% dos meninos e 83% das meninas assumem que exageram na dose. E muitos não têm a menor noção dos problemas que isso pode ocasionar, de acordo com a integrante do Conselho Regional de Nu­­­tricionistas do Paraná e responsável pelo Ambulatório de Obesidade do Hospital de Clínicas do Estado, Maria Emilia Von der Heyde.

A profissional explica que se não for balanceado o consumo do produto pode causar a obesidade e mais uma série de outros problemas, como a diabetes e as doenças cardiovasculares. Além disso, o açúcar em exagero faz com que as crianças tenham doenças que antes eram comuns só entre os adultos, como a hipertensão. “Falta informação para as pessoas quanto à alimentação que elas têm. É preciso que a nutrição faça parte das disciplinas escolares”, defende Maria Emilia.

Comportamento

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) publicada neste mês apontou que as bebidas, em específico os refrigerantes e sucos em pó e em caixinha, são as principais fontes de açúcar na dieta dos brasileiros. Conforme o levantamento, a substituição da água, do leite e dos sucos naturais é mais preocupante entre os adolescentes, que em geral não se ligam tanto no valor nutricional daquilo que comem.

Na opinião de Maria Emilia, a publicidade e a necessidade de se enturmar estão entre as razões para esse tipo de comportamento. “A publicidade tem um impacto grande sobre a alimentação. Há estudos que avaliam a faixa etária que mais vê certos programas de tevê. A indústria não é boba”, avalia a nutricionista.

As amizades também têm impacto sobre o tipo de alimento que se come fora de casa, contam os adolescentes. A estudante Daniele Kretzer, de 15 anos, vai toda semana ao McDonald’s e, apesar das opções saudáveis na cantina da escola, prefere ir por outro caminho. “Os meus pais até pegam no meu pé para eu me alimentar melhor. Minha mãe sempre faz comida em casa, mas eu prefiro o que é mais gostoso”, brinca Daniele, ao explicar o que é o gostoso para ela: os chocolates, as bolachas recheadas e os refrigerantes.

Para equilibrar a dose, a estudante vai à academia e está tentando reduzir o refrigerante. A nutricionista explica que os exercícios físicos ajudam a balancear a quantidade de açúcar no corpo, que é queimado com as atividades. Mas apesar disso, não há outra forma de diminuir a quantidade do produto ingerido senão fechar a boca para os excessos.

Fique atento

Veja quanto de açúcar há em algumas bebidas industrializadas

•  Fanta Uva: 200 ml* – 26,8g**

•  Suco em caixa: 200 ml – 30g*

•  Toddynho: 200 ml – 29g*

•  Coca-Cola: 200 ml – 26,8g*

* 200ml equivale a um copo americano.

** Valores aproximados coletados do documentário Muito Além do Peso.

 

Documentário mostra problema da obesidade no Brasil

O documentário Muito Além do Peso mostra o problema da obesidade infantil no Brasil, mas serve como fonte de informação para todas as idades. Dirigido pela nutricionista e ex-modelo Estela Renner, o filme apresenta o problema que atinge 33% das crianças espalhadas pelo país.

Para esclarecer o que representa essa pandemia, a diretora e sua equipe visitaram o Brasil de norte a sul, indo desde as casas das famílias de classe média dos grandes centros urbanos até a dos povos ribeirinhos do Amazonas.

Nesta jornada, o grupo encontrou histórias incríveis, como a de crianças que mal chegaram aos dez anos e já têm doenças típicas de idosos ou mesmo algumas que não sabem o que é um chuchu, uma cenoura ou uma abobrinha.

O filme Muito Além do Peso está disponível na íntegra no Youtube ou no Vimeo. Para vê-lo, acesse: www.muitoalemdopeso.com.br.