Notícias

Nutrição - 50 anos de profissão e valorização – Ana Lúcia Bonilla Chaves

 

Em 2017, os nutricionistas comemoram 50 anos de regulamentação da profissão no Brasil, garantida com a promulgação da Lei nº 5.276/1967. Desde então, vários nutricionistas encabeçaram as lutas pela valorização do exercício profissional, que vem avançando, obtendo vitórias significativas e expandindo a área de atuação da categoria. Vamos conhecer aqui mais uma pioneira da história da Nutrição no Paraná.

 

A nutricionista Ana Lúcia Bonilla Chaves foi a 6ª inscrita no Conselho Regional de Nutricionistas da Oitava Região (CRN-8). Estudou na UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS) e fez parte da primeira residência em Nutrição noHospital Materno Infantil de Presidente Vargas (RS). Em 1980, veio para Curitiba, trabalhou no Restaurante Universitário da Universidade Federal do Paraná (RU/UFPR), ingressou como professora na UFPR e trabalhou no Hospital de Clínicas.

Ela nos conta diversas passagens do crescimento da profissão, de como os cursos se formaram, fala sobre a luta pelo reconhecimento dentro do mercado de trabalho e de sua importância na saúde. Na UNISINOS, que teve a primeira turma que ingressou em nutrição, em 1973, tinha como professores nutricionistas formados no Rio de Janeiro, que já atuavam no Rio Grande do Sul e muitos médicos. A turma de 77 foi a terceira a se formar. Ana também falou do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), e que quando fez o estágio no Refeitório da Siderúrgica Rio Grandense teve a honra de assinar o PAT 0001, o primeiro PAT da história. “Acredito que foi a partir disso que me apaixonei pela área de Produção de Refeição. Aí, começou o meu amor pela área”, comemora. Já na residência havia duas áreas, a clínica e a de produção, e foi a segunda que lhe atraiu mais. “Me apaixonei pela produção, gostava de fazer compras, licitações, escolher equipamentos, produção de mamadeiras, entre outras práticas da área”, lembra.

História da profissão

Ana também conta da importância do Conselho Profissional para o nutricionista. “Tinha a Associação Gaúcha de Nutrição (AGAN), que era filiada à Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN). Não havia o Conselho Profissional. Não sabíamos direito como atuava o profissional. Durante o curso, tivemos uma ideia do que era a nossa profissão graças aos professores, os primeiros nutricionistas. E a AGAN deu uma diretriz das atribuções, mas sabíamos que precisávamos de um Conselho para nos orientar sobre isso. A falta de reconhecimento fez crescer a vontade de lutar por direitos dentro da área. Montamos cursos, associações e, hoje, tenho a sensação de dever cumprido. É preciso que os novos nutricionistas sigam nesta luta, porque quem entende de Alimentação Adequada e Saudável é o nutricionista!” afirma.

Dificuldades e sucesso

Já formada e com experiência, ela veio para Curitiba trabalhar no RU/UFPR, que tinha reaberto em 1980. “Tive bastante dificuldade com as terminologias, que eram muito regionais. Isso não apenas no dia-a-dia mas principalmente nas compras para a produção de alimentos, como os nomes das carnes e o próprio pão. Com esta dificuldade, fui até um frigorífico para que mostrassem as carnes e a nomeassem”, recorda.

Olhando para o futuro, Ana alerta para a importância da boa formação universitária e lembra, ainda, que os princípios éticos sempre nortearam a prática e devem continuar tendo essa função. “No nível básico, aprendíamos sociologia, antropologia, disciplinas da área de humanas, para saber trabalhar com a população, além do Português e Matemática. Crescemos profissionalmente tendo respeito pelo próximo e seguíamos as normas que hoje estão no código de ética porque isso fazia parte daquilo que tínhamos como bom senso”, diz.