Brasília – Ao lançar
ontem um novo indicador social, o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) confirmou características
já constatadas da sociedade brasileira em outras
avaliações: as pessoas mais pobres e
menos escolarizadas são menos bem atendidas
nos hospitais e postos de saúde, têm
as expectativas mais baixas quanto à educação
e experimentam as piores vivências no trabalho.
As informações são da Agência
Brasil.
O indicador é o Índice de Valo res
Humanos (IVH), que mede a percepção
das pessoas sobre saúde, educação
e trabalho e tenta dar uma dimensão mais “subjetiva”
às avaliações que o Pnud já
faz com o Índice de Desenvolvimento Hu mano
(IDH). O IDH é calculado com base em dados
objetivos como a mortalidade infantil, alfabetização
e renda, conforme explicou o economista Flávio
Comim, coordenador do Relatório de Desenvol
vimento Humano do Pnud.
Segundo o programa da ONU, o IVH do Brasil é
de 0,59. A escala varia de 0 a 1 e quanto mais próximo
de 1 melhor a avaliação. O índice
foi calculado a partir de uma pesquisa de opinião
feita pelo Instituto Paulo Montenegro (ligado ao Ibope)
com 2 mil pessoas, em 148 cidades de 23 estados e
no Distrito Federal. O IVH também varia segundo
a faixa de rendimentos individuais: é de 0,55
para quem recebe até um salário mínimo
(R$ 510) e 0,71 para quem recebe de R$ 5.100 e R$
10.200 (10 a 20 salários mínimos).
O índice também foi calculado, separadamente,
em cada dimensão analisada. No IVH Saúde
– feito com base nas opiniões sobre tempo
de espera para o atendimento médico-hospitalar,
linguagem utilizada e interesse da equipe médica
– o índice nacional cai para 0,45. Na
Região Norte, o IVH Saúde chega a 0,31.
Quanto à faixa de renda, quem recebe até
um salário mínimo tem as piores vivências:
o índice é de 0,39. Quem recebe entre
dez e 20 salários mínimos tem experiências
melhores e o índice chega a 0,68.