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PROFISSIONAL EM DESTAQUE
Nutricionista implementa medidas para melhorar a alimentação
escolar
CENTRAL DE NOTÍCIAS
Nº 7 – ABRIL DE 2011
A nutricionista Lúcia Noemia Weiss foi uma das
responsáveis por mudanças sutis, mas significativas
na alimentação dos alunos da rede escolar
em Foz do Iguaçu: o conceito de merenda passou
para alimentação escolar.
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"A
gente também está buscando que a
alimentação seja um ato pedagógico
dentro da escola, que não fique como um
setor separado e seja incluído no currículo
escolar."
Fotos: arquivo pessoal |
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Lúcia Noemia trabalha como nutricionista responsável
técnica pela alimentação escolar
no município há dez anos. Conta que aos
poucos o trabalho dela e da equipe mudou o conceito
de merenda – um simples lanche – para alimentação
escolar, um direito dos estudantes que inclui alimentos
mais saudáveis e atividades de educação
nutricional. O projeto envolveu grande parte dos profissionais
da rede de ensino, professores, diretores, merendeiras,
além de pais e alunos.
A educação nutricional, aliás,
faz parte da carreira de Lúcia desde o início,
quando ela trabalhava em um hospital com apenas 30 leitos
em Aratiba, no Rio Grande do Sul, administrado por uma
associação de agricultores que tinha como
filosofia a prevenção de doenças.
A nutricionista coordenava o projeto cozinha-escola
na instituição, ensinando as famílias
dos pacientes – na maioria agricultores –
sobre alimentação saudável. “Eu
ficava dois dias no hospital e nos dias restantes dava
curso de formação para as mulheres sobre
alimentação orgânica e inclusão
de alimentos saudáveis na dieta”, contou.
Depois de passar em concurso público em Foz
de Iguaçu para a área de Saúde,
ela mudou para a cidade. Como não foi imediatamente
convocada para atuar pelo município, começou
a trabalhar na área com alimentação
coletiva, supervisionando a produção de
alimentos no catering de uma empresa que preparava os
alimentos servidos em aeronaves e em uma cozinha industrial.
Foram quase três anos trabalhando na área
de UAN e ela nunca deixou a educação nutricional
de lado. Voluntária da Pastoral da Criança,
Lúcia usava o conhecimento sobre alimentação
saudável para combater a desnutrição
e obesidade cooperando com os projetos da organização
não governamental.
Em 2000, o município deixou de contratar empresas
terceirizadas para produzir a alimentação
escolar e Lúcia foi chamada para atuar, desta
vez na Secretaria da Educação. “Foi
uma área nova, um desafio elaborar o cardápio
levando em conta os hábitos alimentares locais
e os recursos disponíveis. Na época eu
tinha um sonho: comprar os alimentos para a merenda
produzidos pelos agricultores aqui no município.
Agora já faz cinco anos que nós realizamos”,
narra.
A profissional conta que no início a prefeitura
começou a adquirir mandioca dos agricultores
locais. Percebendo isso, vários agricultores
passaram também a produzir e oferecer o produto.
Com o passar do tempo a experiência foi se aprimorando
e os próprios agricultores começaram a
se organizar. “Agora os agricultores estão
se organizando em uma associação e estão
produzindo uma grande diversidade de alimentos, incluindo
muitas frutas e verduras para atender as escolas. Isso
tudo vai enriquecendo nossa merenda.”
Segundo Lúcia, o município procura adquirir
os produtos dos agricultores das regiões próximas
às escolas, o que incentiva a economia local
e facilita a chegada dos alimentos mais frescos até
os estudantes. A medida incentiva o agricultor a permanecer
na terra e também estimula a alimentação
saudável nas escolas.
“A criança da cidade também fica
conhecendo de onde vêm os alimentos. Os professores
estão realizando projetos sobre alimentação
saudável. No ano passado, na Semana Mundial da
Alimentação, além de outros projetos,
uma creche fez uma feira, separando os alimentos por
cor. De cada cor saíram diversas receitas e sucos
feitas pelas próprias crianças. Os pais
foram convidados a experimentar”, exemplifica.
Segundo a nutricionista, os bons resultados são
consequências da compra direta e da capacitação
frequente da equipe. Lúcia conta que existem
ainda dificuldades devido à extensão do
município e distância das escolas. Por
isso, tem desenvolvido projetos como o “Manual
da Merendeira” que traz informações
sobre a recepção dos alimentos, armazenamento,
preparo e distribuição para os alunos,
assim tem sido possível envolver os demais profissionais.
“Elas têm um pouco de resistência
no início, porque é mais trabalhoso. Mas,
ao longo do tempo, passam a entender o enriquecimento
que esses alimentos proporcionam para as refeições
das crianças.”
A nutricionista também espera que em um futuro
próximo cada escola possa contar com um profissional
de nutrição que ajude a levar conhecimento
sobre alimentação saudável para
todos os estudantes. “A gente também esta
buscando que a alimentação seja um ato
pedagógico dentro da escola, que não fique
como um setor separado e seja incluído no currículo
escolar. Aumentar o quadro de nutricionistas com um
profissional fazendo parte da equipe pedagógica
é uma meta a ser atingida”.
Mas Lúcia quer avançar ainda mais nas
conquistas já obtidas e, como novo projeto, a
nutricionista e sua equipe trabalham agora em um site,
um espaço na Internet que será dedicado
à alimentação escolar e dieta adequada
e trará receitas saudáveis que ficarão
disponíveis para toda a população.
“Esse é o nosso novo projeto, estamos trabalhando
nisso para levar estas informações para
toda a comunidade.”
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