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Especialização é chave para o sucesso

CENTRAL DE NOTÍCIAS Nº 4

Danielle Rodrigues Lecheta é uma nutricionista que acredita na especialização como forma de atender melhor determinado público. A profissional que atua na área de saúde coletiva e nutrição clínica, com pacientes com necessidades especiais de alimentação, em especial idosos, já realizou duas especializações e iniciou recentemente o mestrado, todos voltados para a área de trabalho que escolheu: a saúde coletiva com interface com a nutrição clínica.

A nutricionista trabalha como coordenadora do Programa de Atenção Nutricional às Pessoas com Necessidades Especiais de Alimentação da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, que atende cerca de 1.300 pacientes por ano. “São pessoas com câncer, doenças neurológicas, insuficiência renal, alergias alimentares ou que dependem de alimentação via sonda, que têm alta hospitalar e vêm dar continuidade ao tratamento na atenção primária, nas Unidades de Saúde”, explica.

Danielle coletando os dados da senhora Irma Gerlach, para o seu estudo de mestrado.
 

“Esse ramo da nutrição é realmente o intercâmbio entre a saúde coletiva e a nutrição clínica. Nós temos também diversas ações voltadas à prevenção e promoção da saúde, que são as bases do trabalho em saúde coletiva, mas esse foco do atendimento individualizado ao paciente que necessita de terapia nutricional especializada tem crescido consideravelmente. Atualmente são 30 nutricionistas trabalhando nas Unidades de Saúde de Curitiba”, afirma.

Formada em 2005 pela Universidade Federal do Paraná, ela participou da implantação do Programa em 2006, e do desenvolvimento do protocolo de atendimento aos pacientes com necessidades especiais de alimentação, o qual será lançado em março de 2011. “Foi um trabalho bastante difícil e demorado porque é uma situação nova na saúde coletiva. Neste sentido, a Secretaria da Saúde de Curitiba foi pioneira a se mobilizar para construir um protocolo”, disse.

É importante que o nutricionista e os demais profissionais da equipe de saúde conheçam a realidade, as condições de moradia e as dificuldades das famílias.

– Danielle Rodrigues Lecheta

Ela explica que o protocolo visa também normatizar o fornecimento de fórmulas alimentares industrializadas, como fórmulas infantis especiais para alergias alimentares, suplementos e dietas enterais industrializadas. Neste caso, foi necessário tomar muito cuidado em relação ao custo do programa, garantindo que o poder público tivesse condições de mantê-lo. “As normas do programa precisaram ser muito bem estabelecidas para que a população pudesse ser atendida com qualidade, sem extrapolar os recursos de que dispomos, já que o programa atualmente é financiado exclusivamente pelo município de Curitiba”.

Para ampliar o conhecimento sobre essa área de trabalho e contribuir com a atividade profissional, Danielle buscou especializações. Ela fez uma especialização em Saúde Coletiva e outra em Gerontologia, ambas na Universidade Positivo.

O Programa de Atenção Nutricional, no qual Danielle trabalha, foi reconhecido e recebeu uma premiação durante o IX Congresso Brasileiro Interdisciplinar de Assistência Domiciliar. “Ficamos ainda mais felizes por ser um congresso interdisciplinar, no qual foi reconhecida a importância do trabalho do nutricionista.”

Desafios

A nutricionista destaca que o profissional de Nutrição é indispensável para o trabalho realizado pelo Programa, o qual tem muitos desafios, como o uso da dieta enteral não industrializada – feita com alimentos, prevista pelo protocolo para pacientes com 10 anos ou mais de idade.

“Isso demonstra a importância ainda maior do nutricionista, não só pela questão de toda a orientação que é necessária para o sucesso da terapia nutricional enteral domiciliar, mas também para orientar a técnica correta de preparo da dieta e os cuidados com higiene, pois se a dieta não for preparada da forma correta não é possível alcançar os objetivos”.

 
 
Informações dos pacientes coletadas pela nutricionista serão utilizadas em seu mestrado na Universidade Federal do Paraná.
 
 

Ela afirma que o desenvolvimento do vínculo do profissional com o paciente, cuidadores e familiares é muito importante para o sucesso do programa. A nutricionista conta que o atendimento é domiciliar para pacientes acamados ou com dificuldades de locomoção, mas mesmo em outras situações nas quais o paciente tem condições de ir até a Unidade de Saúde, o programa preconiza que o nutricionista faça pelo menos um atendimento no domicílio.

“É importante que o nutricionista e os demais profissionais da equipe de saúde conheçam a realidade, as condições de moradia e as dificuldades daquela família, e esse é outro desafio, se adaptar a essas dificuldades, como nos casos de situações sociais precárias”, diz.

Outro desafio citado pela nutricionista é fazer com que cuidadores e familiares entendam que a nutrição enteral não industrializada é benéfica para o paciente. “Muitas vezes as famílias apresentam resistência em relação a isso, preferem o produto industrializado. Claro que a dieta industrializada é mais fácil de preparar, mas como nutricionistas, sabemos que o alimento bem utilizado pode prover todos os nutrientes necessários para o organismo.”

Danielle explica que, neste momento, o bom vínculo com a família é muito importante, já que os familiares muitas vezes se sentem inseguros. Nesses casos, os nutricionistas das Unidades vão até o domicílio, preparam uma vez a dieta junto com os familiares e realizam oficinas sobre o assunto. “A família precisa mais do que nunca confiar no profissional, por isso esse vínculo é tão importante”, explica.

Educação continuada

A nutricionista considera essencial a educação continuada e o foco em uma área de atuação. Ela obteve, no ano passado, o título de especialista em Nutrição Clínica pela Asbran (Associação Brasileira de Nutricionistas). Além de seu trabalho na Secretaria da Saúde de Curitiba, a profissional trabalha na Clínica Memória, um serviço particular voltado para a população idosa, e colabora com o CRN-8 como representante da instituição na Comissão de Saúde do Idoso do Conselho Municipal de Saúde de Curitiba.

Danielle iniciou recentemente o mestrado em Medicina Interna, na Universidade Federal do Paraná, onde irá estudar os fatores associados ao estado nutricional e à composição corporal de idosos com doença de Alzheimer.

Nós precisamos ter um olhar mais amplo, multiprofissional.

– Danielle Rodrigues Lecheta

“Nós precisamos ter um olhar mais amplo, multiprofissional. É isso que me fascina na gerontologia, pois o idoso geralmente tem muitas comorbidades associadas, além de situações psicosociais que muitas vezes merecem atenção. O trabalho em equipe consegue resultados melhores. Na clínica onde trabalho, nós trocamos informações e discutimos os casos com outros profissionais, o que enriquece muito o trabalho.”

Para quem deseja trabalhar na área de saúde coletiva ou em áreas como a gerontologia e nutrição clínica, Danielle recomenda capacitação e atualização constante.

“Quando saímos da faculdade, temos uma visão geral, um conhecimento básico sobre todas as áreas. Mas a partir daí, cada profissional tem que buscar se aprofundar em um assunto, estudar mais sobre a área que quer trabalhar, conhecer mais não só em relação à nutrição, mas sobre essa área como um todo para se diferenciar no mercado de trabalho. Por exemplo, na gerontologia se trabalha muito com demência, então é importante conhecer mais sobre a doença, o tratamento, o impacto dessa na família, não só em relação à nutrição, mas entender o paciente como um ser integral”.


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